quinta-feira, 19 de maio de 2016

Divagações sobre a frase mais (e menos) dita no mundo.

É engraçado pensar em palavras. Tantas vezes, tantas delas... E na maioria do tempo as usamos por não saber outra forma de comunicar ou de mostrar o que se sente ou pensa.
Palavras são efêmeras quando a gente sente. Quando o coração se enche e a gente PRECISA de algo pra demonstrar, a primeira reação são as palavras. E eu vou te contar uma coisa agora.

Há um tempo eu sentia que precisava te dizer uma coisa em especial... Mas o que poderia ser especial quando as palavras são tão sem sentido? Quando se passa horas conversando? Quais são as palavras que nunca são ditas? Não sei. Mas eu precisava dizer algo que achei que não seria capaz de dizer novamente... Principalmente com tanta facilidade ou intensidade. 

Eu as segurei - as palavras -, eu as segurei firme por algum tempo... E muitas vezes eu as escrevi e as apaguei. E pensei nelas. E as sussurrei pro meu silêncio apreciar. E as disse alto pros meus ouvidos  ouvirem e se deleitarem, e pra minha boca saborear o gosto, afinal, apesar de serem só palavras, elas são bonitas e raras... Principalmente quando são a verdade e nada mais do que a verdade.
Eu as segurei por esse tempo que me pareceu interminável por vários motivos: "é cedo demais", "é tarde demais", "tenho medo demais", "e se..."

Mas depois de um tempo o peso das palavras aparece, e elas ficam na espreita, esperando o momento certo para serem expostas, lindas, nuas... Mesmo num sussurro ou num grito a plenos pulmões. Há prazer. Há dor. Há medo. Mas não houve expectativa de uma réplica positiva. Parece estranho, né? Mas é mesmo! Tudo que envolve eu e ela é completamente estranho e diferente pra mim. E olha, é surpreendentemente BOM.

A sensação de peso das palavras aumenta. É quase impossível não soltá-las no meio de uma frase. E todos os dias antes de dormir eu sorrio e penso nessas palavras... O peso é insuportável! Como prosseguir? Algo precisa ser feito... E então eu as solto. É um alívio! Eu quase as cuspo na sua cara. Eu preciso te falar, preciso que você saiba da minha certeza. Não te peço nada em troca. Só preciso que você compreenda o que elas significam.

Joguei o peso em cima da mesa, o peso das palavras... Te atirei como se fosse uma praga. Digo até que cuspi na tua cara:


- Eu amo você.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Cacofonia De Memórias.

 Você pediu que eu me fosse e, embora eu não quisesse... Eu fui.

 Não consigo encontrar nas matizes e nuances das lembranças todos os meus erros. Eu penso, penso e penso e não consigo ver qual foi o erro grave em mim - ou em você -, que nos afastou assim.

 Todo mundo que me conhece sabe como sempre fui falha em achar palavras boas o suficiente para explicar o que tínhamos, o que tu significava (e significa? Ainda?) na minha vida. Todo mundo que me conhece um pouquinho conseguia ver nos meus olhos o quanto eu estava feliz... Só para depois prestigiar a queda vertiginosa que se fez na minha vida com a tua ausência.

 Ah, a tua ausência... Ela me causou o caos, como já diz a música. E ainda me causa, quando vejo que já não tenho para onde correr com todas essas lembranças. Tu levou tudo de mim, inconsciente ou conscientemente. Talvez você sinta muito, mas não mais do que eu.

 A gente sempre pensa que a última briguinha boba é só mais uma, e que tudo ficará bem depois de alguns minutos, talvez horas. Mas não é assim. Nunca é assim. 

 Você sabe que eu tentei conversar, te convencer de que sua decisão estava sendo precipitada, mas você não quis me ouvir... Talvez você nunca tenha me ouvido... Nunca tenha me ouvido dizer o quanto era importante para mim, o quanto eu te amava (e amo?), o quanto eu tinha certeza de que você era a pessoa certa (será?). A única. Mas não houve conversa, só um monólogo triste e desconexo entre lágrimas, soluços, risadas nervosas e gracejos. Bem, você me conhece.

 O que eu queria te dizer, o que eu preciso que você saiba é que quando me mandou embora, eu fui, mas um grande pedaço de mim ficou aí na tua cama, no lado que eu julgava ser MEU da TUA cama, da TUA vida, do TEU coração (enganos, talvez?). Meu coração ficou aí contigo, mesmo que você não o queira (como já vem demonstrando desde então). A única coisa que me sobrou aqui foram cacos de mim mesma, a cacofonia distorcida das memórias que carrego comigo e uma porção de outras coisas... Mas ainda tenho em mim teus sorrisos, tua risada e tua voz me perguntando p'ra onde é que estavam indo os aviões que cortavam o espaço aéreo da tua casa, para em seguida, cortar o da minha. Nem tudo são rosas, nem tudo é espinho.

 Espero mesmo que você não leia isso. E se ler, pare por aqui.

 Eu ainda te espero, eu ainda te amo, e estou dizendo isso aqui, porque não achei um outro lugar no qual eu pudesse expressar todo esse turbilhão de coisas, memórias e momentos que se passam pela minha cabeça com a velocidade da luz. Eu espero você voltar, eu estou sempre esperando, indubitável e incansavelmente a tua volta. Sempre que chega uma mensagem, eu espero que seja você. Sempre que alguém me liga, eu desejo que seja você... Algumas vezes meu eu diz para mim mesma que é em vão, que já passou, outras, no entanto, me diz para continuar esperando porque a hora vai chegar. Eu só não sei em qual das megeras acreditar. A única certeza da minha vida é que eu te amo, e que você é aquele tipo de pessoa que só aparece na nossa vida uma única vez.


 Eu sinto muito, mas você ainda é o meu primeiro e meu último pensamento do dia.